Avaliação da autoestima em pessoas vivendo com HIV/AIDS no município de Ribeirão Preto –SP
Resenhado
por Luana Santos
Castrighini, C., Reis, R., Neves, L., Brunini, S., Caninis, S. & Gir, E. (2013). Avaliação da autoestima em pessoas vivendo com HIV/AIDS no município de Ribeirão Preto –SP. Texto Contexto Enfermagem, 22(4), 1049-1055.
Autoestima é um conceito popular, porém ainda incompreendido, diversos estudos apontam seu valor adaptativo como um aspecto essencial na criação e manutenção da saúde, esperança e qualidade de vida. As pessoas vivendo com aids podem ter sua autoestima prejudicada devido às limitações físicas e sociais que a infecção traz, como a perda de um projeto de vida, a necessidade de reestruturação de hábitos, enfrentamento de novas limitações nas relações no trabalho e na família.
Este estudo, de corte transversal, objetivou avaliar a autoestima de pessoas com aids, relacionando-a com fatores sociodemográficos e clínicos. Participaram 331 pessoas com aids que eram acompanhadas em dois serviços de referência entre 2007 e 2010. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais, utilizando-se Escala de Autoestima de Rosenberg. A distribuição da amostra foi equilibrada quanto ao sexo, e 50,5% (n = 167) dos participantes eram do sexo masculino, com idade predominante ente 30 e 39 anos (42%), heterossexuais (82,2%) e cuja via de infecção do vírus foi sexual (84,6%).
A média obtida na avaliação da autoestima foi de 25,25. A maior média individual por questão (2,98) está relacionada com a questão 9, em que os indivíduos concordaram com a afirmativa “Quase sempre estou inclinado(a) a achar que sou um(a) fracassado(a)” e a menor média foi a questão 10 (2,19), que os participantes concordaram com “Eu tenho uma atitude positiva (pensamentos, atos e sentimentos positivos) em relação a mim mesmo (a)”.
Os autores evidenciam que as pessoas vivendo com aids apresentam pior autoestima quando comparados com indivíduos vivendo com outras doenças crônicas. Uma explicação possível é que os níveis da autoestima influenciam na confiança pessoal e na valorização e a autoestima baixa leva o indivíduo ao não cuidado, pessoal e com a saúde, a não acreditar em si e não buscar um tratamento. A elevada autoestima favorece ao indivíduo ter sentimento positivo sobre si mesmo e melhor adaptação a sua nova condição de doente crônico; por outro lado, a baixa autoestima faz com que ele se sinta mais limitado e desanimado.
Além disso, os autores enfatizam que os impactos negativos quer físicos, sociais ou emocionais da infecção requerem dos serviços de saúde atenção e empenho para trabalhar intervenções que favoreçam a autoestima. Importante ressaltar também que, além da importância do profissional da enfermagem enfatizada no texto, toda a equipe que dá apoio ao cuidado desse paciente pode ser fator relevante para manutenção da sua autoestima.
Enfim, Castrighini et al (2013) mostram a relevância do estudo de um conceito popularizado e como os resultados desses estudos científicos podem ser importantes, não só para entender a adaptação de indivíduos as mais diversas situações, mas também para encontrar formas de auxilio nesse processo adaptativo.
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