Uma proposta de intervenção psicológica no Coping da dor em crianças com Anemia Falciforme

Oliveira, C., Enumo, S., & Paula, K.M. (2017). A psychological intervention proposal on coping with pain in children with Sckile Cell Disease. Estudos de psicologia, 34 (3), 355-366. doi: 10.1590/1982-0275201700000004. 
Resenhado por: Catiele Reis 


O objetivo das autoras foi a criação de Programa de Intervenção Psicológica para Crianças com Anemia Falciforme. Esta patologia é uma das doenças hereditárias na infância mais prevalentes no Brasil, atingindo cerca de 3.500 crianças por ano. Um sintoma característico dessa patologia é a dor que impacta diretamente na qualidade de vida dos doentes e familiares. Alguns recursos não farmacológicos vêm sendo empregado para a diminuição da dor como recursos de distração (assistir televisão, jogar vídeo game) ou técnicas psicológicas, tal como proposto neste estudo: uma intervenção baseada na Teoria Motivacional do Coping (MTC).  
De acordo com a MTC, o processo de enfrentamento é entendido como uma ação regulatória, na qual qualquer evento pode ser classificado como estressante desde que ameace as suas necessidades básicas de relacionamento, competência e autonomia. Para lidar com um problema, cada pessoa usa um conjunto de estratégias baseada em seu provável desfecho, seja ele positivo ou negativo. 
O presente estudo foi realizado em quatro fases: (1) identificação dos participantes e coleta de dados clínicos de seus prontuários médicos; (2) aplicação de um Instrumento Computadorizado para Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização-Dor (AEH-DOR - pré-teste); (3) Desenvolvimento e aplicação de um jogo intitulado “enfrentando a dor”, na qual estimulava-se oito formas de enfrentamento da dor vista como adaptáveis para lidar com a dor: distração, aceitação, resolução de problemas, busca de conforto, regulação emocional, negociação, busca de informações e reestruturação cognitiva e; (4) aplicação de AEH-DOR (pós-teste).  
Os resultados mostraram um aumento significativo dos comportamentos facilitadores do coping da dor e da solução de problemas, uma estratégia adaptativa, e uma diminuição nos comportamentos não facilitadores e na ruminação, uma estratégia mal adaptativa. A percepção do estressor como desafio à necessidade de competência aumentou e diminuiu a percepção de ameaça às necessidades de competência e de autonomia. A intervenção pode ter contribuído para promover o enfrentamento adaptativo da dor. 
Outros achados mostraram uma significância clínica em diminuir as seguintes formas de enfrentamento fuga e esquiva, que estão relacionados a percepção de ameaça à necessidade de parentesco e desamparo relacionado a ameaça à necessidade de competência. Os resultados também sugeriram uma possível influência positiva para o enfrentamento da dor nessas crianças devido à a redução de estratégias relacionadas a um ambiente mais passivo enfrentamento (adesão passiva) ou pensamentos negativos (enfrentamento afetivo). Estas formas de enfrentamento estavam relacionadas a uma má adaptação à doença, caracterizada por uma maior percepção de intensidade da dor e menor controle dos episódios de dor, níveis mais altos de estresse psicológico, diminuição das atividades escolares e sociais, e maiores níveis de ansiedade e depressão.

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